A Ana? Tá sequestrada. Gostaria de deixar recado?
Bah, que dia esquisito. Ou não. Talvez seja simplesmente impressão, porque foi um dia um pouco fora de rotina e tal. De manhã e no início da tarde fui ver umas questões burocráticas sobre o meu emprego. Mas isso não é lá muito interessante. Legalzinha foi uma homenagem pro dia das mães que teve no trabalho da minha mamãe. Que fofo, não? Pois, eu nem sei porque eu curti. A gente ficou a maioria do tempo esperando começar e depois eu ainda tive que sair correndo pra minha aula à noite. Mas, sei lá, me senti um pouco bem. Deve ser porque tinha um bolo de chocolate delicioso e a tal da serotonina resolveu trabalhar um pouquinho. Ou talvez porque os humores, no geral, estavam mais ou menos compatíveis entre o pessoal aqui de casa. Bah! Eu e a minha mania de tentar explicar tudo. Porque eu não posso só contar alguma coisa e parar por aí?Mas continuando... De noite, a aula foi normalzinha. Só que eu resolvi sair mais cedo. Daí eu, minha mãe e meu padrasto decidimos jantar fora. Comemos peixe. Hmm, adoro peixe. A gente jantou num restaurante meio aberto, como é a maioria dos restaurantes por aqui, já que é quase sempre um calor insuportável nessa cidade. Enfim, é um lugar tipo uma "varanda" de uma casa qualquer. Hehe. 'Porque essa doida tá descrevendo a estrutura da porcaria do restaurante em que ela jantou?', vocês (quem??) devem estar se perguntando... Ah, mas não se preocupem. Eu tenho sim um motivo. No caso, é até específico. Nem vou ter que ficar dissertando possibilidades até não chegar a conclusão nenhuma. Enfim, é porque hoje começou a chover no iniciozinho da noite e não parou mais de cair água até agora a pouco. E eu só queria acrescentar, no caso da janta, esse mísero aspecto: da chuva caindo bem do nosso lado, enquanto jantávamos e tal. Sei lá, pra mim torna o momento mais interessante. Não que isso siga qualquer lógica... Bom, daí depois a gente ia, a princípio, pra casa. Mas meu padrasto teve que parar num lugar antes e eu e a minha mãe ficamos esperando no carro. Continuava chovendo e eu e a minha mãe ficamos conversando sozinhas dentro do carro por um bom tempo. Foi muito bom. Eu sempre gostei de conversar no carro. Quando eu era pequena, meu pai contava histórias de super heróis inter galáticos e da enigmática caixinha de Glob's Glob's enquanto esperávamos, no carro, a minha mãe sair do trabalho, ou ir comprar alguma coisa no supermercado. Era divertido. Mas além dessa fase, isso sempre foi uma coisa que eu curti. Isso quando todos os ânimos estão dispostos a conversar, porque quando alguém tá de saco cheio, a coisa vira um inferno. Não foi o que aconteceu hoje, certamente. Conversei algumas coisas que eu precisava conversar a tempos, mas continuo precisando provocar outras conversas parecidas pra me resolver emocionalmente, digamos desa maneira. Mas foi ótimo também ouvir certas coisas. Na real, a gente nunca sabe o que a outra pessoa está pensando. A gente pode, no máximo, imaginar. Só que, muitas vezes, a gente imagina errado. E daí acaba se ressentindo de coisas que talvez nem existam. Bom, divagações a parte, a noite foi a melhor parte do dia, por assim dizer. Completamos olhando um filminho (Sob o sol de Toscana) em casa. Bem legal pro meu estado de espírito atual. Em compensação, a madrugada não está sendo das melhores. Minhas irmãs voltaram de um show toda elétricas, me deixando meio irritada (a troco de nada, na verdade). E eu vou ouvir as pentelhas bem na hora que alguém finalmente aparece no msn. E agora estou sozinha de novo, porque as minhas queridas hermanas já se deitaram e o msn está vazio de novo. Ok, nada disso é motivo pra compor uma madrugada ruim. No caso, deve ser tudo fruto da minha cabeça, pra variar. Puxa vida, tô sentindo que eu tô sendo novamente sequestrada pelos meus pensamentos e devaneios. Tipo, isso acontece de tempos em tempos na minha vida. No resto do tempo, eu consigo conviver combatendo quase em pé de igualdade com as minhas dúvidas, sonhos e divagações. Mas tem vezes em que eles me sequestram e eu sou mantida em cativeiro por tempo indeterminado. O jeito é torcer pra que eles me libertem logo. Porque, eu até poderia fugir, mas isso simplesmente não me faria bem...


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